Os Livros do Odenir

MEUS LIVROS DE FICÇÃO CIENTÍFICA, DESENHOS, OPINIÕES E MUITO MAIS

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A produção do book trailer está em andamento

Estou criando um book trailer do meu primeiro livro. Não é tão simples assim criar um vídeo que descreva o livro, mas também não é nada impossível. Estou usando o Windows Live Movie Maker. Provavelmente não irei adicionar efeitos muito complexos. A música, já decidi, vou procurar alguma gratuita em domínio público com permissão total.

Não quero demorar muito na produção, mas acho que não ficará pronto em breve, até por que, não querer demorar muito é uma coisa, não demorar muito, é outra.

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Sobre a Televisão, de Pierre Bourdieu

Sobre a Televisão, de Pierre Bourdieu, é um livro interessante, escrito em linguagem simples. O autor critica o pouco espaço oferecido pelos canais de televisão ao pensamento crítico, aos pensadores, aos intelectuais, enfim. Bourdieu fala que a televisão transforma não profissionais em profissionais, que ela confere autoridade a quem não a tem.

Ou seja, um sociólogo com pouco conhecimento, pode, segundo ele, ser considerado um grande sociólogo pela mídia, e consequentemente pela maior parcela da sociedade, e assim até mesmo ser aceito dentro dos ambientes universitários como grande pensador.

Ele defende que o indíce de audiência é a sanção do mercado, ou seja, é o mercado contra democracia, melhor dizendo, por oferecer apenas pensamentos de baixo teor científico, ideias fáceis, simples, e não contribuir com uma formação elevada, a televisão acaba não fornecendo às pessoas uma forma de aprender mais, de poder ter consciência das coisas ao seu redor. Isso não ajuda, mas sim atrapalha a democracia, porque pessoas com baixo conhecimento, com pouca consciência, são mais manipuláveis.

Pierre Bourdieu diz que o mercado (representado pelo índice de audiência) passa a ser reconhecido como uma instância legítima de legitimação (algo preocupante). Acredito que Bourdieu teve razão em ter pensado e analisado a televisão e o mercado com essa preocupação durante sua vida. É preocupante tudo ser reconhecido pelo dinheiro e pela fama.

Hoje, com o acesso a cada dia maior à internet, acredito que muito do que ele escreveu vai se transformando em história. Porém, mesmo assim, muita coisa ainda tem valor, e vai continuar tendo.

É o tipo de livro que as pessoas deveriam estudar lá no ensino médio, porque contribui com a formação pessoal, e leva as pessoas a conseguirem organizar em suas mentes opiniões mais elaboradas sobre o que está ao seu redor.

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“Governo Solar: Um Jogo de Poder” Prefácio e primeiro capítulo

Governo Solar

Versão completa e de graça no Google Books

Se você não quiser ler no Google Books e quiser baixar o PDF, é só clicar no link acima e no canto superior direito da tela do Google Books, clicar no icone da engrenagem e depois clicar em “Download do PDF”.

Prefácio e primeiro capítulo abaixo.


                           GOVERNO SOLAR: UM JOGO DE PODER

                                                 Prefácio

A evolução tecnológica dos videogames os tornaram plataformas de diversão tão avançadas que fez com que a imersão total característica das novas gerações dessas máquinas virasse algo barato e acessível. Jogar significa entrar de cabeça em um mundo virtual tão bem desenhado a ponto de se parecer muito com o mundo real.

Em algum lugar do país, um típico jovem brasileiro está muito ansioso para jogar um lançamento. Este jogo é muito aguardado por pessoas do mundo todo. Mais do que a simulação de simples guerras e da evolução da humanidade, ele simula a disputa pelo poder. É neste ambiente que o rapaz vive suas aventuras e é lá que ele relaxa e tenta pensar um pouco menos na sua vida e nos seus desafios reais, pelo menos por algumas horas diárias.

Capítulo 1: O primeiro dia

Otaviano está desesperado para jogar “Governo Solar: Evolução & Poder”. Ele acabou de chegar do colégio e foi ao banheiro com pressa. Saindo do banheiro ele vai a cozinha. Otaviano pensa em comer algo porque está com muita fome. Mas ele não quer perder tempo e pega a primeira fruta que vê: uma maçã. Rapidamente ele a descasca e a come. Depois pega uma segunda maçã e a devora com ainda mais velocidade. Abre a tampa de uma garrafa de refrigerante que estava quase vazia na geladeira e bebe tudo no bico mesmo.

Pronto, agora sem sede e sem fome ele pode ficar durante horas e mais horas jogando. O jogo “Governo Solar: Evolução & Poder” foi lançado a meia noite do dia 18 de Outu­bro de 2097. São exatamente uma hora e quarenta e dois minutos, nesta bela e ensolarada tarde de sexta-feira. Otaviano terá toda esta tarde e todo seu final de semana para jogar. Com 17 anos de idade, segunda-feira ele estará na sala de aula do terceiro ano do ensino médio. Mas só segunda-feira, porque neste exato momento ele entra no quarto e tranca a porta. Agora é só ele e seu VJ13.

O VJ13 é a 13ª geração do melhor videogame do mercado atualmente. Não há nada comparável a este videogame, que não é nada mais, nada a menos do que um simples capacete de imersão total. Um capacete verde, com detalhes azuis, que já está na cabeça de Otaviano, que encontra-se sentado em um confortável sofá ao lado de sua cama. O aparelho se comunica com seu cérebro e agora sua mente está em total contato com o programa de computador que controla o VJ13. Ele sente uma brisa suave e quente percorrendo seu corpo. Essa brisa não é real, é apenas uma sensação artificial causada em seus pensamentos pelo poderoso programa do videogame.

No visor da tela aparece uma bela loira, usando um vestido europeu, com estilo aproximadamente do século XVIII.

Ela, com uma linda e suave voz, simplesmente diz:

— Que jogo você quer jogar hoje?

Otaviano prontamente responde:

— Quero jogar “Governo Solar: Evolução & Poder”.

A loira calmamente avisa:

— Serão aproximadamente cinquenta e sete segundos para baixar os oito Terabytes.

A série de videogames “VJ” foi uma grande revolução na área do entretenimento de jogos eletrônicos e o primeiro grande sucesso brasileiro a nível internacional neste campo. Lançado em 2026, o primeiro VJ utilizou componentes de diversos países e um programa de computador com origem em uma parceria entre uma empresa americana e outra brasileira. Hoje, em sua 13ª geração, os componentes continuam sendo desenvolvidos em muitos países diferentes, e o programa atual que controla o jogo foi desenvolvido em uma pareceria entre Brasil, Estados Unidos, Portugal, Coréia do Sul e Japão. Os sistemas cada vez mais complexos exigem a participação de equipes cada vez maiores e geralmente multinacionais quando o assunto é tecnologia da informação. A fabricação deste videogame acontece em indústrias de vários países, mas a marca é brasileira e a sede da empresa fica em São Paulo. O jogo que Otaviano está baixando, “Governo Solar: Evolução & Poder”, é americano, e como a grande maioria dos jogos, é gratuito. A criação deste jogo foi patrocinada por uma grande empresa que fabrica refrigerantes, e por coincidência ou não, a marca dela é a mesma do refrigerante que Otaviano tomou ao chegar do colégio. Durante os aproximadamente 57 segundos em que o jogo está sendo baixado, uma propaganda passa no visor. Otaviano se vê diante de uma garrafa gigante de refrigerante que começa a jorrar seu líquido, fazendo-o chover por todos os lados em um ambiente com uma música que repete o nome da marca do refrigerante a todo momento. Os 57 segundos terminam, mas a propaganda não, ela irá durar um minuto e meio antes da primeira vez em que o usuário jogar. Nas próximas vezes a propaganda só irá durar trinta segundos a cada vinte e quatro horas. Ou seja, se ele jogar duas vezes ao dia, não irá ver a propaganda duas vezes, e sim apenas uma.

A propaganda termina. Tudo fica quieto e escuro e repentinamente surge o globo terrestre em sua frente. A voz de um senhor idoso quebra o silêncio e pergunta:

— Modo em rede ou modo solitário?

Sem dúvida alguma, Otaviano responde:

— Modo em rede.

O velho senhor explica:

— No modo em rede você tem duas opções: Jogo privado entre amigos e modo de campeonato em rede mundial. Qual é a sua escolha?

Otaviano novamente responde:

— Minha escolha é modo campeonato mundial.

O velho homem continua com as perguntas:

— Você está certo disso? O modo campeonato mundial lhe permite jogar apenas três horas por dia, divididos em duas partidas de uma hora e meia, com meia hora de descanso entre elas.

Otaviano pensa um pouco antes de responder:

— Tenho certeza, mas posso jogar em modo solitário também e manter duas partidas?

Com sua voz lenta e bondosa o ancião responde:

— Sim meu jovem, quantas partidas você quiser, mas o modo solitário, e o modo em rede entre amigos só são liberados após jogar pelo menos durante meia hora o modo de competição mundial.

O estudante do terceiro ano do ensino médio pensa em criticar isso, mas não adianta reclamar com um programa de computador, então ele escolhe o horário que melhor lhe convém:

— Quero jogar a partir das nove horas da noite o modo campeonato.

O velho lhe dá algumas explicações antes de se despedir:

— Você jogará entre nove horas da noite e dez e meia, e após isso terá meia hora de descanso. Depois jogará entre onze horas e meia noite e meia. Cinco minutos antes do fim da partida diária, todos os jogadores ouvirão o barulho de cigarras e assim poderão se preparar para a noite. Isso será muito útil no começo do jogo. Nos horários em que você não estiver conectado, seu personagem jogará com inteligência artificial. Essa inteligência artificial copiará seu estilo de jogo, porém ela terá uma autonomia grande e provavelmente não será tão boa quanto você, porque o personagem quando tomado pela inteligência artificial perde alguns pontos de força e vida. Se você tiver um cargo bom em sua tribo ou nação, poderá manter o seu personagem abrigado dentro de alguma construção, a não ser que algum personagem superior o mande sair de lá. Se você for algum tipo de líder, apesar de poder ficar na construção escolhida, o poder estratégico será exercido temporariamente por outra pessoa real, com algum cargo abaixo do seu. Obviamente esta pessoa poderá tentar tomar seu poder permanentemente, e a inteligência artificial de seu personagem tentará evitar isso, mas provavelmente você perderá sua posição de liderança, a não ser que seu personagem tenha muitos pontos de habilidade. Estes pontos serão ganhos automaticamente de acordo com cada tipo de trabalho que você realizar. O jogo irá durar trinta dias e ao fim de cada dia você poderá ver sua classificação. Existem várias formas de classificação. A primeira é a geral, que é a principal. Além dela existem as classificações civil e militar, e por fim a pessoal. A civil refere-se a sua liderança a frente do governo ou de algum órgão de ordem econômica. A militar refere-se a sua classificação em batalhas e a sua patente militar. Finalmente a pessoal refere-se a soma de suas habilidades e ao número de mortes. Quanto menos morrer, melhor sua classificação. Ao morrer você recomeça um ou mais níveis abaixo do cargo que ocupava antes. Já quem morre por ser punido por sua própria nação, geralmente recomeça em outra nação mais fraca, ou quando isso não é possível, recomeça em uma posição hierárquica muito inferior a que possuía anteriormente. Existe também a classificação de nações. No começo a classificação é de tribos nômades, seminômades e sedentárias. Depois aparece a classificação de civilizações antigas. São mantidos no ranking apenas países nas duas formas de governo mais evoluídas do dia. Então surgem as nações, que são as que tem bandeiras, digamos assim. Lembre-se, isso é muito importante e vou dizer apenas mais uma vez: Quando existem duas formas de organização política mais avançadas, seu povo fica fora da classificação. Uma tribo ou civilização fora do ranking ganha um ônus de ficar com mais dificuldade para evoluir, e a nação que é a primeira a “abrir caminho” em uma nova forma de governo, ganha um conhecimento tecnológico extra. A classificação de nações vai geralmente se afunilando, com cada vez menos países, até sobrar ou não um único governo no sistema solar. Caso reste só uma nação o jogo de certa forma termina e não é mais possível fazer guerrilhas ou algo do tipo para tentar criar novos países por exemplo. Quando um governo adquire o status de “Governo Solar”, as estruturas são tão fixas que não podem mais ser mudadas. É o fim do jogo de estratégia, e os maiores líderes políticos e militares permanecem em seus cargos, porém é possível a quem está em níveis inferiores tentar de alguma forma melhorar a própria classificação. Também existe a possibilidade de nenhum governo solar ser formado durante os trinta dias. Se isso acontecer, vence a nação melhor classificada. Os fatores de classificação levam em conta território, economia entre outras coisas. E vale ressaltar que a classificação pessoal dos líderes de outras nações menores existentes provavelmente serão maiores do que a classificação de um cidadão comum da nação vencedora. Inicialmente, para cada jogador real existirão dez personagens com inteligência artificial. Tenho duas ultimas perguntas a você jovem, mas as farei pouco antes do início do jogo. Até mais tarde. 

Otaviano então escolhe jogar por alguns minutos outro jogo de estratégia para treinar suas habilidades. O tempo passa. Ele estuda, faz suas tarefas, ouve música e estuda de novo. Otaviano anda estudando muito para conseguir entrar no curso de Administração. Ano que vem começará sua faculdade, mas só estudará Administração se passar no vestibular. Não é tão difícil, há muitas vagas em sua cidade, e o vestibular não é muito concorrido, porém ele quer se mudar e sair da pequena cidade em que mora no sul do Paraná. Palmas fica na divisa com Santa Catarina, tem cerca de cinquenta mil habitantes, um inverno rigoroso e lá faz frio na maior parte do ano. Além disso não tem muitos atrativos. É uma cidade um pouco chata de se viver. Já Pato Branco é uma cidade muito mais agradável e bem maior, com cerca de trezentos e cinquenta mil habitantes. Pato Branco tem um clima também frio boa parte do ano, mas com um inverno um pouco menos intenso. Lá é bem mais complicado entrar no curso de Administração. Mas Otaviano tem se esforçado muito.

As horas passam, e finalmente são nove da noite. Depois de ter saído andar pela tediosa cidade, ele está novamente em seu quarto, com o VJ13 em sua cabeça. Ao se encontrar com o velho do jogo, as ultimas perguntas são feitas:

— De onde é sua civilização?

Otaviano é muito orgulhoso de ser brasileiro. Ele ama fazer parte desta poderosa nação e na maioria dos jogos, quando é possível escolher um personagem de origem nacional, é isso o que ele faz. Mas ele também é apaixonado pela história europeia, e em jogos onde é possível começar em tempos muito antigos, ele geralmente escolhe o continente europeu como ponto de partida. Ele então toca no globo a sua frente, bem na Europa, exatamente na península itálica. Uma música clássica começa a tomar conta do local e o mapa do globo começa a mudar. A Terra deixa de ficar visível. Novamente só há escuridão e silêncio. Isso o deixa confuso, mas a voz do velho diz:

— Como seus antepassados, você não conhece a geografia do planeta. Você nem mesmo sabe se ele é redondo ou não. Nesta nova Terra você é parte de um povo que se assemelha ao povo italiano. É só isso que você sabe. Aliás, você sabe mais uma coisa, o seu nome. Qual é mesmo seu nome?

Otaviano pensa no nome que irá acompanhá-lo durante o jogo e diz:

— Otaviano, o Poderoso.

Então o velho fala:

— Ninguém nasce líder, a liderança deve ser conquistada…

Após um breve silêncio para o jogador refletir sobre a frase, o velho homem novamente solta vagarosamente palavras de sua boca:

— Muito bem Otaviano, o Poderoso… Sua aventura começa agora!

A escuridão some e Otaviano vê diante de si um ambiente escuro. O vento está quente. Ele olha para o céu super estrelado e se assusta muito!

— Duas luas? Duas luas?

Quase tudo o que ele aprendeu nas aulas de geografia não irão servir pra nada no jogo “Governo Solar: Evolução & Poder”. Aliás, alguns conhecimentos serão sim importantes. Organizar estratégias militares baseadas nas características geográficas de cada região em que for atacar ou defender por exemplo, irá ajudá-lo muito. Mas ele não tem papel para criar um mapa, não tem a habilidade que permite desenhar e nem mesmo tem um pouco de tinta por enquanto. Ele não tem nada. A única coisa que ele sabe é que no começo do jogo não é possível saber quem é inteligência artificial e quem é real. Durante o jogo provavelmente ficará mais fácil identificar os jogadores reais, mas agora… agora não, neste exato momento ele não sabe de absolutamente nada.

Neste ambiente de dúvidas ouve-se um grito e Otaviano leva um susto:

— Vamos pra caverna, já!

Otaviano surpreso olha para o homem barbado e cabeludo e começa a segui-lo. Ambos vestem uma roupa muito rustica de um tipo de couro que lembra a pele de um tigre. Otaviano entra na caverna assustado. O jogo é muito realista. Tão realista, que o jogador praticamente esquece da realidade na qual vive no mundo real. Ele começa rapidamente a se sentir um simples homem das cavernas. Tem medo dos animais e começa a imaginar que tipo de fera espera por ele fora da caverna? Que inimigos enfrentará? Será que existem civilizações mais avançadas formadas apenas por jogadores de inteligência artificial desde o começo? Ele está em uma ilha ou em um continente? Otaviano não sabe de nada, e em meio a seus pensamentos e dúvidas, eis que surgem raios de sol. Começa o primeiro dia na vida de “Otaviano, o Poderoso”, que é neste exato momento apenas um mero homem das cavernas cheio de dúvidas, desconfiança e medo.

O pequeno grupo é composto de cinco mulheres, doze crianças e oito homens adultos. Todos os homens são muito parecidos, com exceção de um, que é mais velho e também mais forte, e aparenta ter uns quarenta anos. Ele grita com toda a força de sua garganta:

— Comida! Frutas! Árvore!

Então todos os homens obedecem e começam a sair. Uma mulher também tenta segui-los, mas é barrada pelo líder que bate nela e a manda retornar. A jovem mulher retorna. Para Otaviano está tudo muito claro. Ela é uma jogadora real. O líder toma sua posição a frente do grupo de homens que o segue em fila. Otaviano lembra da frase que ouviu antes do jogo começar: “Ninguém nasce líder, a liderança deve ser conquistada”. Ele vê uma pedra no chão, olha pra ela e pensa em jogá-la na cabeça do líder:

— Será que matando o líder do grupo eu ganho a posição de chefe da tribo? Se eu matá-lo… Como os outros reagirão? Eu conseguiria encontrar alimento sozinho?

Otaviano deixa a oportunidade passar e segue em frente. Um dos homens, o ultimo da fila, para por alguns instantes, e sem ninguém perceber, pega a mesma pedra, que cabe exatamente em sua mão, e como eles estão em um lugar com uma vegetação pouco densa, corre passando na frente dos outros homens do grupo. Toma um pouco de distância e a arremessa direto na cabeça do chefe da tribo. A pedra atinge o crânio do chefe, entretanto sem a força necessária. Todo o grupo, por instinto corre em direção ao homem que tentou matar seu próprio líder. Como o ideal no momento é parecer uma inteligência artificial, Otaviano igualmente corre em direção ao criminoso. Se a punição do homem for a morte, melhor para Otaviano. Um jogador real a menos em sua tribo, e fica mais fácil de subir socialmente. O próprio líder que é o mais rápido alcança quem tentou agredi-lo. Começa-se uma luta corporal. Todos estão em volta, mas ninguém interfere. O chefe da tribo mostra sua força e acaba com vida de seu agressor. Agora não resta dúvida. Quem comanda a tribo tem mais força física, e todos os jogadores começam a jornada de um mês como homens ou mulheres comuns. O agora temido líder, dá a ordem com palavras em uma linguagem simples:

— Carregar corpo longe trilha!

Faz algum sentido, um corpo podre no meio do caminho de volta, poderia trazer doenças. Para ganhar pontos de habilidade, Otaviano corre em direção ao corpo e ergue os ombros do morto. Outro homem da tribo segura os pés e ambos começam a andar em direção a mata fechada. Jogam o corpo a uns dez metros da trilha e retornam ao seu grupo que está esperando. Agora, os sete homens adultos andam em direção ao desconhecido. Ninguém sabe onde o caminho vai dar, a não ser o primeiro da fila. O mais rápido e mais forte. O temido líder.

Se passam três minutos, quando um grupo de árvores diferentes é visto. O grupo se aproxima e começa a comer seus frutos. São maçãs. Deliciosas maçãs. Após a rápida refeição, Otaviano se sente mais forte. Os homens começam a colocar as maçãs dentro de suas roupas, fazendo uma espécie de bolsa improvisada. Parece algo pouco inteligente, mas a melhor coisa a se fazer agora é agir como eles. O retorno é um pouco demorado. Quase chegando na caverna, um dos homens grita de dor. Todos da tribo olham para trás. Ele está no chão, se contorcendo. A morte é rápida. Uma pequena cobra é vista próxima aos pés do morto. O líder, desta vez sentindo medo, se aproxima. A cobra foge em direção a mata fechada. O chefe larga suas frutas e coloca o cadáver em seus ombros. Sozinho, leva-o em direção a caverna. Se aproximando do abrigo, todos correm à frente e deixam a comida lá dentro. O chefe por outro lado, vai um pouco mais distante da grande caverna e joga o corpo em uma outra caverna menor. Esta pequena caverna não é horizontal mas sim vertical. É um pouco profunda. Todos da tribo se aproximam do cemitério pré-histórico. O chefe após alguns segundos ordena o retorno. De volta a grande caverna todos se alimentam.

Se passou o primeiro turno do jogo e aparece no visor do VJ13 a mensagem, retorne em meia hora. Com bastante fome, Otaviano corre na direção da cozinha e coloca sua refeição no micro-ondas. Ao tirar do aparelho sua comida já quente, começa a pensar:

— Como vou virar o líder? O que devo fazer? Como vou ganhar poder? Como vou evoluir minha tribo? Somos apenas seis homens agora…

Os minutos se passam e meia hora depois o capacete está em sua cabeça. Ele seleciona o jogo que quer jogar e aparece imediatamente em sua caverna. Após sair por um curto período de tempo da caverna e olhar para cima, percebe que o sol está forte e no meio do céu. Agora é meio dia dentro do jogo. Mas como tudo irá durar apenas trinta dias, isso significa que cada dia representa mais do que só vinte e quatro horas. Cada dia é como se fossem na verdade muitas centenas de anos dentro daquele ambiente virtual.

O líder do grupo novamente manda que todos o sigam, mas desta vez as mulheres também vão. Bem perto, entre as rochas, existe uma pequena nascente. Todos tomam água e retornam. Otaviano lembra-se das aulas de história. O fogo foi uma das primeiras grandes conquistas da humanidade. Ele decididamente se levanta:

— Vou sair da caverna e fazer fogo!

Antes de conseguir sair, o chefe da caverna aparece em sua frente e dá a ordem:

— Retornar! Perigo lá fora!

Ignorando as ordens Otaviano tenta continuar, mas sente um puxão de cabelo. A força é tanta que ele cai no chão da caverna. As ordens são repetidas:

— Retornar! Agora!

Não há o que fazer. Enfrentar o líder é praticamente impossível. Neste momento de distração de todo o grupo que olhava atentamente a cena, uma pedra voa em direção ao líder. Ele caí no chão. Desmaiado, mas não morto.

Uma das mulheres do grupo foi quem arremessou a grande pedra, e ela é exatamente a que parecia ser uma jogadora real no começo do dia. Caído no chão, ainda sentindo dores do puxão de cabelo e sedento por poder, Otaviano pega a mesma pedra que agora está em sua frente, se ergue, aproxima-se da jovem mulher e arremessa com toda a sua força o pesado objeto. A morte é instantânea. Todos da tribo começam a gritar descontrolados. Otaviano aproxima-se ainda mais do corpo da jovem, pega novamente a pedra e agora corre na direção do líder da tribo. Olha para baixo, segura com firmeza a pedra, se ajoelha próximo a cabeça do chefe e começa a bater com a rocha no crânio dele. Não há mais nenhum sinal de vida da vítima. Otaviano estranhamente se sente mais forte, se levanta, olha para todos e grita:

— Agora quem manda sou eu!

São quatro mulheres, doze crianças e quatro homens dentro de uma caverna sob o comando de Otaviano, o Poderoso.

O novo chefe da tribo pega um pedaço de sua própria barba e a estende para frente para vê-la. Ela está um pouco branca. Ele mudou de aparência. Todos o temem. Certo de que todos são regidos por uma inteligência artificial, ele expressa suas ordens com sua linguagem normal:

— Fiquem dentro da caverna!

Mas então se lembra dos corpos e muda as ordens:

— Vamos levar os corpos para fora, rápido!

As ordens são atendidas e os corpos são jogados em meio ao buraco entre as pedras, que está alguns metros distantes da caverna onde vivem. É o cemitério pré-histórico.

Otaviano, no caminho de volta, pega dois pedaços de galhos de árvore que encontra no caminho e os traz para dentro de sua habitação pré-histórica. Lá, enquanto todos estão quietos, Otaviano fricciona os galhos um contra o outro. Alguns minutos se passam e nada. Ele não descansa e continua incessantemente. Então, como mágica, começam a sair pequenas faíscas. Logo os galhos entram em chamas. Otaviano sobe em uma grande pedra dentro da caverna e grita com todo o seu fôlego:

— Este é o fogo!

Após chamar dois dos homens, ele os manda correrem para trazer mais galhos secos que estão em meio a floresta. Rapidamente os galhos são entregues a Otaviano. Existe agora uma fogueira dentro da espaçosa caverna. Todos estão mais seguros. Otaviano diz para os quatro homens seguirem-no em direção a árvore de maçãs. Chegando lá ninguém consegue acreditar no que se vê:

As maçãs que sobraram são poucas e algumas estão estragadas. Depois de passado o susto, com toda a sua autoridade Otaviano dá as ordens:

— Recolham as frutas que conseguirem e vamos retornar.

Chegando na caverna, ordena que todos dividam o pouco alimento. Ouve reclamações, mas não faz nada. Após pensar um pouco, vai para fora da caverna, pega um galho grande, retorna, coloca o pedaço de madeira em suas mãos dentro da fogueira e diz:

— Sigam-me.

Todos o atendem. Ele sai sem muito rumo e sem saber o que fazer. O caminho escolhido é o da nascente de água. Otaviano pensa o seguinte: Se seguirem a pequena vertente aquífera, uma hora chegarão a um riacho, e depois a um rio. Lembrando-se das aulas de história pensa:

— As primeiras civilizações surgiram próximas de grandes rios. A minha não será diferente.

Está ficando escuro e ele dá novas ordens:

— Peguem os galhos secos que encontrarem no caminho.

Então as cigarras começam a cantar. Em cinco minutos o primeiro dia de jogo acabará. Então a ultima ordem do dia é expressada:

— Façam uma fogueira.

Os integrantes da tribo jogam seus galhos em um só lugar e Otaviano joga sua tocha em meio a fogueira construída as pressas. Fica frio e todos se aproximam do fogo para se aquecerem. Anoitece por completo. A escuridão toma conta de seu mundo. O primeiro dia de jogo finalmente termina.

Na tela aparece a classificação de Otaviano: “Jogador na posição 2.965.235 entre 16.359.207 jogadores reais”. Não é uma posição ruim mas Otaviano se espanta. São muitos jogadores! Então segue na tela outro dado: “56.592.070 de jogadores artificiais”.

Refletindo sobre hoje, percebe que a população artificial de sua tribo se reduziu muito durante o primeiro dia. Mas então ele pensa:

— As doze crianças da tribo irão aparecer adultas amanhã e novas crianças surgirão, mas… Será que em meio a elas algum outro jogador real irá aparecer? Será que irão tentar tomar minha liderança? Que estratégias deverei usar para garantir a sobrevivência de minha tribo? Nossa, eu tenho que pesquisar tudo isso amanhã. Deve ter algo na internet explicando. Algum tutorial talvez.

Finalmente aparece a classificação das nações: “A sua é a número 2.359.152 dentre 6.035.489 tribos”. Finalmente uma mensagem do jogo surge em forma escrita na sua frente: “As civilizações mais avançadas até agora possuem o status de seminômades.”

— Se minha tribo não continuar evoluindo amanhã provavelmente ficaremos para trás nos próximos dias, e tudo será muito mais difícil!

Otaviano retira seu VJ13 da cabeça e se deita em sua cama para dormir e descansar. Amanhã é sábado e na próxima noite jogará seu segundo dia naquele assustador, porém agora não tão desconhecido mundo virtual, onde a evolução é essencial e o poder é tudo!


Este é o primeiro capítulo, espero que tenham gostado do começo da estória. O romance já está pronto e conta com um total de 32 capítulos e 245 páginas (incluindo capa). Para ler DE GRAÇA, como falei no começo do post, é só clicar neste link do Google Books

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e clicar na engrenagem no canto superior direito da tela e depois clicar em “Download do PDF”.

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Em breve, novidades!

Tenho trabalhado e estudado muito, mas muito mesmo. Quase não me sobra tempo pra quase nada além disso. Felizmente consegui organizar melhor o meu tempo.

Além disso, em poucos dias trocarei o meu computador, que está muito antigo e travando demais, o que atrapalha e muito minha produtividade, além de me impedir de fazer algumas coisas, como por exemplo o book trailer de meu primeiro romance, Governo Solar: Um Jogo de Poder. Com meu novo notebook, espero conseguir fazer um bom trailer para meu livro.

Sobre o livro, de ficção científica, digo a vocês que já consegui o ISBN para a versão e-book, e que o mesmo também se encontra registrado na Fundação Biblioteca Nacional.

Em pouco tempo escreverei mais sobre o livro, e após este estar publicado, saibam que tenho quase pronto outro livro, com diversos contos, mas nem todos de ficção científica.

Estou muito entusiasmado com tudo que está acontecendo ultimamente  e com os desafios de, por exemplo, criar a capa. Acredito que a capa será desenhada por mim mesmo, em três dimensões, com os poucos conhecimentos que tenho em modelagem 3D, entretanto, suficientes pra realizar um trabalho no mínimo razoável.

Um dos últimos detalhes que preciso resolver é encontrar o site no qual publicarei. Já tenho um praticamente escolhido, onde poderei oferecer o e-book com um preço muito baixo. Eu acredito que as versões digitais devam ter um preço bem mais baixo que as versões em papel, e assim será com os meus livros em versão e-book.

Então é isso: Aguardem, em breve… Novidades!

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