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Acho uma maldade a existência da reprovação de crianças nas séries iniciais do ensino fundamental. Uma criança de, sei lá, sete anos, não deve ser culpada pelo erro de adultos. Minha opinião, discorde você ou não, é que se um menino ou uma menina de sete ou oito anos de idade reprova, a culpa é muito mais dos adultos que a cercam do que dela mesma. Esses adultos não se resumem aos professores, mas são principalmente os pais, além de muitos políticos que não investem o necessário pra termos no país um ensino público de qualidade. Casos de pais que não tem o mínimo interesse na educação dos filhos são comuns. Claro que há também situações nas quais a família tem dificuldades, inclusive financeiras, de dar condições para o aluno ir à escola. Vejamos: se uma família tem um filho e por um desemprego inesperado não consegue alimentá-lo, e ele vai até a escola e não tem um bom rendimento por causa da fome… quem tem coragem de culpar os pais dessa criança? Um imprevisto e pronto, a criança é exposta ao risco de reprovação por motivos que não são culpa dos pais.
Mas existem casos nos quais os pais tem tempo e dinheiro, e mesmo assim não dão exemplos, muito menos olham o boletim. Não raro os pais nem sabem a série em que seus filhos estão!
E quando a escola não tem condições de oferecer um bom ensino por falta de estrutura? Culpa dos políticos. Existem ainda casos de professores mal preparados, ou ainda, com péssimo salário. Existem estados onde os professores tem salários muito baixos e pra se manter acabam por realizar paralelamente outras atividades e sobrecarregam-se de serviço.
A culpa? Da sociedade em geral, não da criança.
Digam o que quiserem, mas não acho que deva-se reprovar alunos com até mais ou menos onze anos. Tenho dúvidas inclusive sobre a eficácia da reprovação de alunos nas séries finais do ensino fundamental. Sabem como acaba isso? Vocês que não trabalham em colégio sabem? Vou dizer, acaba assim:
Antes faço uma ressalva: é claro que existem alunos com 16 ou 17 anos de bom comportamento que foram matriculados tardiamente, por motivos variados, mas em sua maioria, os alunos com 16 ou 17 anos, reprovados várias vezes, tem péssimo caráter (não todos, repito). Entenderam? Não? Querem que eu desenhe? O aluno ou aluna de 17 anos, baderneiro, com os mais variados vícios, que não respeita ninguém, que briga com todo mundo (muitas vezes através de agressões físicas e não só verbais), esse ser de 17, por conta da reprovação, vai acabar do lado da sua filhinha ou filhinho de 11 ou 12 anos. Sim, seu menino de 11 anos na sétima série vai estudar na mesma série desse cara de 17.
As reprovações melhorarão de alguma forma o aprendizado desse aluno quase adulto? A reprovação servirá pra alguma coisa além de expor seu filho ou filha ao perigo? Pense nisso. Pense nas consequências. Pense em todo o processo de ensino e não só em um ano.
No ensino médio, tudo bem, a reprovação até pode ser uma ferramenta útil, mas no ensino fundamental… creio que não.
Os bairros mais pobres tem os piores colégios porque são mais pobres, ou são mais pobres porque tem os piores colégios?
Eu faço esta pergunta e eu mesmo respondo:
Os bairros mais pobres tem as piores casas porque são mais pobres. Claro. Mas as casas são privadas. Os colégios então seguem este padrão por isso, certo? Errado! Os colégios públicos são… Públicos! Ora, se são públicos, são de todos, e óbviamente são pagos por todos.
A coisa privada é diferente. Cada um consegue por esforço ou por sorte ter um pouco ou muito a mais que os outros. Já a coisa pública sabemos que deve ser dividida igualmente.
Não, eu não sou contra a coisa privada. De forma alguma! Sou muito é a favor! Inclusive sou a favor das instituições de educação privadas. Se não fossem as universidades privadas, imaginem a quantidade de pessoas que se formariam em graduações e pós graduações por ano? Seriam muito menos pessoas! Além disso, existem muitas universidades privadas sérias que tentam garantir a melhor formação pra seus alunos, com iniciativas muitas vezes interessantes e inovadoras.
Gosto de negócios e defendo o direito a propriedade privada. Mas o fato é que todos pagamos impostos, porque a coisa coletiva é essencial. Vivemos em uma sociedade, e como sociedade precisamos de garantir assistência médica por exemplo, a todos. A coisa pública é essencial para o capitalismo. Acreditem, é sim. Claro que a coisa pública gigante se torna ineficiente e destrói a competição (que força nossa sociedade pra cima), porém, onde há competição, há uma possibilidade de que alguns competidores percam. Ninguém, por mais rico que seja é imune. Esses competidores que perdem tem que ter o direito a moradia, educação, segurança e saúde. Eu penso assim.
Os colégios que mais sofrem com a falta de estrutura física são quase sempre os que ficam nos bairros mais pobres. Deveria, penso eu, ser o contrário. Concordam?
Mas porque os colégios públicos que estão em meio a bairros ricos ou de classe média alta são geralmente bons? Porque a comunidade à sua volta sabe se defender. Sabe cobrar pelos altos impostos que paga.
Em bairros pobres poucos sabem como lutar da forma certa porque poucos estudaram o suficiente pra aprender as técnicas.
Um bairro pobre, com gente de pouco estudo, é muito vulnerável. São pessoas vulneráveis, que certamente sofrem na vida por não conseguirem cobrar seus direitos, e porque quando cobram, cobram nos lugares e das formas erradas. Os filhos dessas pessoas sofridas e trabalhadoras merecem um futuro diferente, com também muito trabalho, porque emprego é importante, mas com salários melhores. Essas crianças merecem um estudo que as levem até um salário alto. Essas crianças precisam não só de um salário alto no futuro, mas da capacidade de conseguir melhorar a sociedade que as cerca, não apenas no sentido finaceiro, porque dinheiro não é tudo.
E é assim: os bairros mais pobres deveriam ter os melhores colégios. Deveriam… E terão! Temos que pensar desse jeito e lutar por isso. Colégio, o local onde estão as crianças que futuramente entrarão pra universidades públicas ou privadas. Colégio, o local onde se aprende, ou deveria se aprender qual o melhor caminho a se trilhar. Colégio, o local onde todos nós, que temos um mínimo de instrução passamos. Colégio, o local onde aprendemos o básico que nos será útil em todo a nossa vida acadêmica e profissional. Esse local, o colégio, deve ser bem cuidado em todos os bairros, dos mais ricos aos mais pobres, dos particulares, aos públicos. Todos devem ter uma boa qualidade.
Dia 30 de agosto de 2011 ocorrerá uma paralização. Esta é uma data histórica no estado do Paraná, porque em 30 de agosto de 1988, professores que lutavam por melhores condições foram violentamente reprimidos. 30 de agosto é uma data pra lutar pela qualidade da educação no Paraná.
O Brasil está melhorando, e isso se deve em muito à melhoria da educação. Sim, a educação brasileira aumentou muito sua qualidade nos ultimos anos, mas estamos muito distante de um nível decente, principalmente nos bairros mais pobres, onde deveriam ser construidos os melhores colégios.
30 de agosto os funcionários da educação lutam por muitas coisas. Eu deixo como contribuição à luta, uma percepção que estou tendo trabalhando temporariamente como técnico adminstrativo.
No Paraná, o processo seletivo simplificado (PSS), contrata profissionais que substituem trabalhadores concursados em férias.
É uma experiência interessante e o salário até que não é tão ruim. Mas claro, existem problemas. Não vou falar do salário que poderia ser melhor. Não. Não vou falar da questão do transporte. Não. Acho que não adianta falar de vários problemas, porque cada um deve ser corrigido de uma vez.
O maior problema, penso eu, é a falta de treinamento.
Me lembro uma vez em que trabalhei pra um empresa privada temporariamente. Bom, eu ganhava pouco mais que um salário mínimo, ou era exatamente um salário mínimo, não lembro, mas enfim, era pouco. Mas advinhem… Sim, eu recebi treinamento antes de começar a trabalhar. Pensem em uma equipe de 4 pessoas que recebem cerca de um salário mínimo cada, saindo do interior do Paraná e indo até a capital Curitiba pra fazer treinamento. Sim, a empresa privada pagava pouco, mas treinava muito. E porque treinava? Porque queria qualidade pra seu cliente (o cliente no caso era o governo federal).
Porque não há treinamento nas principais cidades do Paraná pros funcionários temporários da educação? Deveria ter! Só assim poderiamos realizar no curto espaço de tempo no qual trabalhamos pro governos estadual um bom trabalho. Aprender as pressas, no meio do ano letivo, na prática do trabalho, sem ter sequer um manual pra consultar durante as dúvidas que surgem em meio ao exercício da função é um problema gravíssimo! Compromete e muito a qualidade dos serviços que o governo presta a sociedade.
No ato da contratação do PSS deveria ser oferecido um manual aos novos funcionários. Pelo menos um manual. (leiam a observação abaixo).
Atualização: Descobri que há sim vários manuais online para quem trabalha como profissional da educação no Paraná. É só procurar por “manuais” na ferramenta de busca do site da Secretaria de Estado da Educação do Paraná. Esses manuais são úteis para novos funcionários públicos.
Amanhã haverá uma paralização (e não uma greve) aqui no Paraná, onde nós, funcionários da educação, lutaremos pela melhoria da educação pública. Os impostos (altos) são pagos pra que todos os alunos tenham a garantia de uma boa educação, de boa estrutura nas salas de aula e de professores e funcionários bem pagos (lembrando que quanto maior o salário, mais concorrido o cargo, e assim, mais bem preparados os funcionários).
Abaixo, reprodução total da carta à comunidade do APP (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná)
” 30 de Agosto de 2011
Dia de Luto e de Luta
Carta à comunidade,
Caras mães, pais, alunos e alunas,
Cara comunidade,
Nós, professores(as) e trabalhadores(as) em Educação da rede estadual de ensino, faremos uma grande mobilização no dia 30 de agosto. Na data, o funcionamento das nossas escolas será suspenso, pois estaremos levando ao conhecimento da sociedade, e reiterando diante do novo governo do Estado, as nossas reivindicações e o nosso compromisso com a Escola Pública. E é por isto que nos dirigimos a vocês neste momento. Queremos destacar a importância desta data – 30 de agosto – para a Educação do Paraná. Em 1988, uma greve da nossa categoria por melhores salários e condições de trabalho foi violentamente reprimida pela força policial, a mando do então governo. Desde então, nós saímos às ruas, neste ‘Dia de Luto e de Luta’, para relembrar a nossa difícil, embora gratificante, trajetória na busca de uma educação pública de qualidade no nosso Estado. Este ano, vamos cobrar do governo a efetivação da nossa equiparação salarial (os professores recebem salários cerca de 25% inferiores aos dos outros servidores que têm formação em nível superior), mudanças nas carreiras de professores e funcionários de escola, novos concursos para a área, fim da superlotação das salas de aula, melhorias nas estruturas físicas das escolas.
Também lutamos por outras bandeiras, como a melhoria do atendimento à saúde prestado ao funcionalismo público, a nomeação dos candidatos aprovados em concursos da educação e que, até hoje, esperam ser chamados, o aumento dos investimentos na Educação, o respeito ao Piso do Magistério (PSPN), a aprovação do novo Plano Nacional da Educação (PNE), além de outros pontos.
Todas elas têm um único objetivo: a melhoria das condições de trabalho dos milhares de professores e funcionários de nosso Estado, e conseqüentemente, a ampliação da qualidade da educação ofertada aos nossos estudantes. E esta melhoria é decisiva para o desenvolvimento e a promoção e melhoria da vida da população de nosso país. Por tudo isso, contamos com a sua compreensão e apoio no dia 30 de agosto.
Direção da APP-Sindicato
Curitiba, agosto de 2011.
Mobilização em Curitiba
Local e horário da concentração: Praça Santos Andrade, às 09h”
Tem muita coisa pra se melhorar na educação paranaense, e por estas coisas que os funcionários da rede de educação vão lutar, amanhã, 30 de agosto!
Dizem que para se tornar um bom escritor basta ler muito. Isso é um fato. Ler ajuda muito. Quanto mais se lê, melhor se escreve. Porém buscar técnicas literárias avançadas pode te ajudar ainda mais.
Eu ainda não tenho nenhum livro publicado, apenas um escrito, que já está lá na Biblioteca Nacional sendo registrado. Quando estiver devidamente registrado eu começarei a divulgá-lo e a buscar editoras. Além disso estou escrevendo o segundo. E é exatamente neste segundo livro cheio de contos que percebo como está me valendo ir até a Universidade Estadual de Maringá todas as semanas. A cada aula aprendo algo novo e assim vou modificando e melhorando meus contos.
Nas primeiras semanas do Mestrado de Letras percebi quanta teoria existe na literatura mundial. É justamente a disciplina de Elementos de Teoria da Narrativa Literária que estou cursando este semestre. Toda esta teoria pode ser aplicada na prática.
Adquirir a consciência de que literatura é mais do que apenas escrever livros me está sendo muito útil. Literatura é arte! Uma forma de arte que pode fazer com que lugares desconhecidos fiquem famosos, que pode servir para tornar um país mais conhecido internacionalmente, que pode fazer as pessoas entrarem em uma grande reflexão interior. As pessoas pensam quando assistem TV, quando vão ao cinema e quando conversam entre si, porém é na leitura, uma experiência solitária e silenciosa, que as pessoas pensam um pouco mais, justamente por este pacífico silêncio.
A Teoria da Literatura é imensa e rica. Algumas teorias estão ultrapassadas, outras estão em construção, entretanto todas, digo e repito, todas as teorias, mesmo as incompletas e antigas, servem para o escritor.
Algumas teorias podem não ser do seu agrado, outras podem te deixar confuso, mas é justamente a confusão e a opinião sobre cada teoria que faz o escritor crescer e se tornar melhor.
O desenhista profissional geralmente tem aulas de desenho teóricas antes de ir para a prática. Claro que existem bons desenhistas autodidatas que apenas praticam, mas a grande maioria aprende antes a teoria para depois partir para a prática.
Quanto aos escritores, posso estar errado nos números a seguir, mas acredito que mais de noventa por cento seguem direto para a prática inicialmente e nunca se interessam em ir para a escola ou universidade afim de tornarem-se melhores e mais profissionais.
Digo para vocês, a teoria geralmente vem antes da prática. Claro que é possível e é até bom começar a escrever mesmo sem nenhum curso (assim eu comecei), mas após este início, procure estudar e aprender a teoria, procure gente que sabe mais que você, converse com outros escritores, enfim, busque conhecimento.
A teoria literária é riquíssima. Existem e existiram grandes teóricos no mundo e em nosso país também, nas mais diversas épocas. Toda a enorme quantidade de informações que estes teóricos juntaram não foi sem outras intenções, senão tornar os leitores, críticos e principalmente os escritores cada vez melhores.
Portanto, se você escreve, pesquise a teoria. Te servirá muito!
Muitos técnicos administrativos já estão sendo chamados em alguns Núcleos Regionais de Educação. Estou como sempre atento a convocação. Por enquanto a maioria dos núcleos estão priorizando com razão a convocação de professores e auxiliares de serviços gerais para este ínicio de aulas.
Mudando de assunto, ainda estou sem internet em casa… Ando escrevendo muito e já tenho vários contos prontos para o segundo livro. Ainda não enviei o primeiro para a Biblioteca Nacional, mas vou fazer isso em breve.
Estou aguardando o resultado da seleção para alunos não regulares do mestrado da UEM (Universidade Estadual de Maringá). A partir das 17 horas do dia 18 vai sair o resultado. Escolhi a disciplina de Elementos de Teoria da Narrativa Literária. Seria demais estudar mais a fundo a narrativa!
Mudando novamente de assunto, como eu queria ter internet em casa! É uma pena que o preço da internet é muito alto. O governo deveria sériamente investir na informação…