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Se no post anterior eu falei mais sobre os debates inúteis, hoje me deu vontade de falar sobre as boas discussões.
Na Wikipédia o debate está definido como:
“Debate é uma discussão amigável entre duas ou mais pessoas que queiram apenas colocar suas ideias em questão ou discordar das demais, sempre tentando prevalecer a sua própria opinião ou sendo convencido pelas opiniões opostas.”
É uma boa definição. Uma discussão amigável. Algo complicado de acontecer em debates políticos por exemplo, mas mesmo assim não é impossível se os debatedores se posicionarem de forma construtiva.
A definição continua:
“Geralmente debates são longos, e raramente se chega a alguma conclusão, porém, é uma prática considerada saudável onde uma pessoa pode ver vários lados de uma mesma questão.”
Isso é bem interessante. Vejam só, geralmente são longos, mas nem sempre, e raramente se chega a alguma conclusão. Não é um problema grave não se chegar a alguma conclusão. Na teoria literária existem muitos debates sem conclusão, e mesmo assim não deixam de ser úteis e interessantíssimos! Entendem? Muitas vezes o que se quer, dependendo do tema, é realmente não se chegar a um resultado final e deixar a questão em aberto. Esta questão vai se ampliando cada vez mais e assim ficando mais complexa e interessante.
A definição não para por aí:
“Debates ou discussões amigáveis podem ser a respeito de temas diversos, como futebol, política, etc. Eles não devem ser confundidos por brigas ou amultuações. Geralmente debatentes são concisos e tem em mente a troca de idéias sem que haja ofensas para ambos os lados.”
É nesta parte que muitos debates deixam de ser debates e se tornam briga e confusão. Muita gente não sabe debater e briga até por coisas que deveriam ser alegres, como o futebol, que é um esporte bom e divertido, e algumas pessoas (a minoria), briga e até mata pra fazer prevalecer sua visão!
É muito bom frequentar ambientes onde as pessoas sabem debater. Quem frequenta cursos onde a estratégia de ensino é através de seminários (seminário é um metodo que usa técnicas como a dinâmica de grupo para estudar e pesquisar em grupo um certo assunto), sabe como pode ser legal e enriquecedor um debate. Estes tipos de debates que valem a pena e que ocorrem em ambientes geralmente universitários, bem que poderiam acontecer com maior frequencia fora de sala de aula, como em programas de entrevista, debates políticos em ano de eleição e em empresas para debater a produtividade, a qualidade do atendimento e a satisfação do consumidor, etc.
Infelizmente ainda nem todos tem esta cultura. Mas sou otimista principalmente em relação as empresas, que teriam muito a ganhar realizando internamente este tipo de debate.
Hoje li em um blog e em um microblog duas discussões, debates de ideias e ideais.
Ambos sem utilidade nenhuma. Pessoas com posições contrárias sobre um determinado tema. Pessoas que não mudariam de opinião de forma alguma. Não critico este tipo de pessoa por não mudar de opinião. Acredito que todos nós temos nossas opiniões imutáveis, não é mesmo? Mas critico sim estes debates que em geral não geram nada de interessante. Algumas destas discussões são sobre religião, outras são sobre política e outras ainda são sobre machismo, feminismo, enfim… Acho perda de tempo ficar debatendo muito sobre este tipo de coisa, porque na maior parte das vezes as pessoas não vão muito a fundo no conhecimento e as ofensas pessoais não demoram a surgir. Claro que discutir política, feminismo e até religião pode ser interessante, mas isso quando ao menos duas pessoas do debate detêm um grande conhecimento sobre o tema proposto.
Não vou mentir. Já perdi tempo com debates sem sentido. Já perdi muito tempo. Hoje em dia não perco mais.
Acho bem melhor expor uma ideia do que debatê-la, a não ser é claro em ambientes universitários, onde as pessoas geralmente se entregam tão profundamente aos temas que muitas vezes tudo acaba lá na raiz da questão e mesmo quando não se atinge esta raiz, tudo tende a virar teoria. Teoria que alguém irá estudar ainda mais, chegando enfim a uma conclusão, ou chegando a conclusão de que não existe conclusão alguma e que tudo depende do ponto de vista e também das experiências pessoais vividas por cada um. Ou ainda se pode chegar a uma teoria tão bem fundamentada que alguma hora alguém irá fazer alguma coisa prática a utilizando, muitas vezes até para algo de outra área do conhecimento completamente diferente. Ou seja, o debate alguma hora terá validade.
“Em uma pequena cidade, dois moradores conversam:
— Morar no interior é melhor.
— Claro que não, morar nas grandes cidade é muito melhor.
— No interior não tem violência, nem enchente.
— Mas existem cidades no interior que são arrasadas por enchentes. Nada a ver o que você está falando!
— No interior não tem engarrafamento.
— Nem shopping!
Não demora muito para tudo virar briga.”
“Em uma pequena cidade, dois moradores conversam:
— Morar no interior é melhor. Não tem engarrafamento e a segurança geralmente é maior.
— Mas as oportunidades são menores.
— Depende, nas cidades de médio porte entre duzentos e um milhão de habitantes existem grandes oportunidades de crescimento profissional, além de ter boa parte das opções de lazer de um grande centro urbano.
— Mas nas cidades de médio porte, dependendo do bairro em que se mora, o deslocamento até o local de trabalho ou estudo é também muito demorado.
— Isso é uma verdade. Além disso é quase impossível morar em uma cidade pequena sem ter que viajar para um polo regional de vez em quando.
— Assim como quem mora em uma cidade de médio porte tem que se deslocar eventualmente até uma grande metrópole como São Paulo ou Rio de Janeiro.
— Não podemos nos esquecer de que as passagens aéreas partindo de aeroportos em cidades médias até grandes cidades estão muito baratas hoje em dia.
Neste tipo de conversa, as pessoas tendem a encontrar soluções para si mesmas. Se a pessoa gosta de sossego, vai se estabilizar profissionalmente e se encher de cursos em uma grande cidade, e quando puder, vai se mudar de volta para uma pequena cidade. Se a pessoa não quer tanto tumulto e mas quer ter acesso rápido aos grandes eventos, vai morar em uma cidade de médio porte, e assim por diante. Conversas assim, mesmo que informais, trazem benefícios. Não tem como mudar o fato de Fulano gostar de sossego. Mas Fulano sabe que terá que se mudar para um cidade média ou grande para estudar e se firmar profissionalmente antes de retornar a sua cidadezinha. Ciclano sabe dos desafios diários que encontrará em uma cidade maior se quiser viver lá para sempre e desfrutar de suas vantagens. Sabe que quanto maior cidade, maior a concorrência, e que a dedicação deverá ser imensa para desfrutar dos benefícios locais.
Um bom debate quase sempre nos faz crescer. Temos que buscar o que nos faz crescer. Quando um debate não nos melhora, o melhor é não o ler ou participar dele.
Quando o debate é inteligente ou interessante, vale a pena o ler, o ouvir, ou participar da discussão.
Temos que aproveitar nosso tempo com o que é bom, ou você não concorda?
Resolvi retirar do ar o sistema de comentários do blog para evitar problemas maiores com pessoas que não tem o mínimo de respeito pelo próximo.
Infelizmente existe gente (ás vezes muita gente) que não tem a mínima noção de que a internet é feita de pessoas reais e que tem sentimentos. Não ligo para ofensas pessoais vindas em direção a mim. Nunca liguei, nem na “vida real”, quanto mais na internet. Acredito que todas as pessoas tem o direito de pensar e se expressar sobre o que quiser, desde que seja de forma civilizada.
O que me fez retirar o sistema de comentários foi o fato de que as pessoas começaram a ofender umas as outras nos comentários. A responsabilidade sobre um comentário é de quem o escreve, porém eu tinha o poder de moderar, mas quando a quantidade de comentários cresce muito, fica impossível realizar a moderação.
Em meu polêmico post sobre a greve dos bancários, recebi mais de 60 comentários em apenas dois dias! A maioria eram bancários que discordavam de meu ponto de vista.
Muitos de forma civilizada concordaram ou discordaram de meu post, porém outros concordaram ou discordaram enchendo os comentários de palavrões e ofensas. Ao ver onde tudo tinha parado, não pensei duas vezes e acabei com todos os comentários (infelizmente deletei os bons e inteligentes também, mas estes eu li antes e gostei muito, mesmo os que discordavam de minha opinião, e que não me fizeram muda-la, mas certamente me fizeram refletir um pouco mais e fizeram comigo o que bons comentários fazem com qualquer um, fizeram eu pensar ainda mais e certamente as criticas construitivas foram ótimas para mim).
Uma pessoa tem o direito de expressar o que pensa, e é esse um dos motivos que me fazem ter este blog. Temos a sorte de viver em um país livre, onde a liberdade de expressão é garantida por lei! Nem sempre foi assim na história de nossa nação. Muitas pessoas morreram por este direito de liberdade que temos hoje. E continuam a morrer em várias partes do mundo, em países onde ainda os povos não são livres e não podem falar, desenhar ou escrever o que querem.
Vivemos em um país livre, entretanto, tudo tem limites, e ofensas pessoais não são bem vindas e não fazem parte da liberdade, mas sim fazem parte da intolerância.
O meu post sobre a greve dos bancários continua lá, palavra por palavra, e não o irei mudar em nada!
Quem concordar ou discordar sinta-se livre para comentar em fóruns (que geralmente possuem um sistema avançado e eficiente de moderação) e em outros blogs, ou ainda, em seu próprio blog. Inclusive aconselho a quem tem muitas idéias e opiniões a fazer como eu, e criar um blog. É uma experiência muito interessante!
Aos leitores deste blog me resta dizer que por um lado o sistema de comentários não existe mais por aqui, mas por outro o blog continua, com posts quase que diários, podem ter certeza!!!