Os Livros do Odenir

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Olhar o passado, mas fazer o futuro

O passado é mágico, quando bem documentado. Eu vejo assim. O passado é lindo. Só o que é bem documentado fica e quase que só o melhor do passado é registrado.

O presente é normal, comum. O presente quando virar passado será lindo. Só o melhor ficará. Mesmo o que ficar de ruim, será grandiosamente ruim. Será um ruim grande, será um ruim influente.

O futuro eu não sei, mas sempre parece bonito. Parece melhor.

Mas a nossa vida hoje é melhor? Vista do passado, parecia que seria melhor. Em alguns aspectos é, porém a maioria de nós não está contente. O conforto é relativo pra quem vive no transito e vai trabalhar todos os dias. Não é uma utopia. Não, infelizmente não é um mundo perfeito. Longe disso.

Parece haver uma zona de conforto, um salário bom, um emprego tranquilo, uma cidade maravilhosa. E há. Mas nem todos tem acesso. Nem todos temos acesso. Nunca ninguém teve acesso a tudo o que há de melhor.

Entretanto um cidadão de classe média que se esforce e junte um dinheirinho, consegue, se quiser, fazer pelo menos uma vez na vida uma viagem mais longa do que qualquer grande conquistador de eras antigas.

Um caminhoneiro brasileiro que durante toda sua vida transporte, sei lá, soja ou milho, ou tudo isso e muito mais, dos estados do Centro-Oeste até os portos dos estados litorâneos, certamente viajará mais quilômetros do que qualquer viking.

O presente é melhor que o passado, mas o nosso sentimento de descontentamento persiste. E por que?

Porque o mundo não é perfeito. Algum dia será? A perfeição depende mais de nosso ponto de vista (no sentido de focalização), do nosso ponto de referencia, do nosso posicionamento (em todos os sentidos) e de nossa percepção sobre ela?

Do que depende a perfeição? O que ela é?

Nós a sentimos. Eu pelo menos sinto quando estou vivendo um momento perfeito. Sinto sim, mas compreendo? É necessário compreender?

Não dá pra viver de passado. Viver um dia igual ao outro, durante anos… Isso não é vida. Isso nos transforma em máquinas, coisas, como dizem.

Coragem. Só coragem pra mudar. Pra mudar nossa própria vida e o mundo. Olhar o passado, mas ter atitudes no presente que mudem, que transformem nosso futuro, nosso mundo.

Não estou falando necessariamente apenas do mundo que há ao nosso redor. Não é só do planeta Terra, da sociedade, da tecnologia. Estou sim falando daquele mundo que talvez seja o mais importante. O mundo pessoal. O que eu vejo e o que eu percebo, o que eu sinto.

Viver dias iguais durante anos é viver uma vida pequena.

Já uma vida, mesmo simples, mas com grandes mudanças em seu decorrer… Isso é vida. O contrário também é, porém menos, menos vida.

Aventura! Seja lá o que você considere aventura.

Aventura pra uns tem a ver com viagens ao redor do mundo ou com a exploração do espaço, pra outros significa estudos profundos sobre alguma célula qualquer e pra outros ainda, a criação de algum lindo mundo fictício.

Aventura. Acredito que todos temos que viver a aventura que achamos que é a nossa aventura.

E correr o risco. Mas não um risco tolo (não quero nem levantar a polêmica do que tolo significa ou deixa de significar), e sim um risco inteligente.

O que não podemos é correr o risco de não viver a aventura que o nosso futuro nos reserva.

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Minhas impressões sobre a obra “Madame Bovary”

Finalmente li todo o romance. Como eu havia dito no post anterior, é uma leitura cansativa, na maior parte do tempo chata mesmo. São descrições em excesso, principalmente dos locais, mas isso pode ser bom, dependendo do gosto de cada leitor. É um livro que te faz sentir-se nos lugares onde cada evento ocorre. Eu praticamente via cada casa, cada vila e cada cidade onde as coisas se passavam.

O psicológico de cada personagem é exposto de tal forma que não só nos sentimos nos lugares, mas também nos sentimos dentro das pessoas, ou até talvez nos sentimos como sendo as próprias pessoas que interagem em cada capítulo… Em cada página…

A sociedade da época é muita bem explicada, e, como diz um trecho da sinopse da versão impressa em 1981, da editora Abril, que tenho em mãos: “a moral burguesa, posta a nu em seu convencionalismo, falsidade e presunção”.

Eu recomendo esta obra. É bem interessante, porém forte, e quando digo “forte” é no sentido mais sombrio e nebuloso desta palavra.

Nesta antiga obra enxerguei, bem no fim, as mudanças que acabaram com a burguesia tal qual existiu, substituindo-a pela sociedade industrial.

Pra finalizar digo a vocês que não senti pena de nenhuma personagem. Do meu ponto de vista, cada homem e cada mulher mostrou o seu lado falso ou perverso, e um em especial se mostrou mole demais diante da vida, sem reagir, o que achei lamentável. Ele (vocês descobrirão de quem estou falando se lerem a obra) deveria ter se imposto diante dos outros, lutado um pouco, reagido frente ao que ocorria diante de seus olhos. Mas não…

Ela… A Ema Bovary, bom… Eu acho que ela era meio doida e até mesmo um pouco má. Mas isso é o que eu acho, você talvez ache algo diferente porque este livro abre espaço pra diferentes interpretações.

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Madame Bovary, de Gustave Flaubert, e suas descrições intermináveis

Madame Bovary é um livro muito reconhecido, que faz parte da história da literatura. Não vou fazer um resumo deste livro, nem nada do tipo, afinal de contas já existem milhares de resumos desta obra. Apenas irei falar sobre minhas primeiras impressões do estilo de Gustave Flaubert, o autor. Li por enquanto a primeira de três partes. Percebi que é uma obra grande, de leitura muito cansativa.

Começar falando da juventude de Carlos Bovary, pra depois passar a se focar em Ema, é interessante demais. O fato dessa focalização se alterar de um para a outra, faz com que nosso juízo de valor seja diferente do que se a estória começasse já falando apenas de Ema.

O que gostei, e ao mesmo tempo odiei mais, foi a capacidade descritiva de Gustave. As excessivas e prolongadas descrições dos locais, das roupas, dos gestos e das atitudes de cada lugar e de cada pessoa fazem o romance adquirir vida, mas ao mesmo tempo, fazem o leitor ficar com sono. A falta de velocidade e de grandes acontecimentos me fez sentir o mesmo tédio de Bovary, esposa de Carlos. Acredito que talvez esta foi a intenção do autor. Já sinto também dó do pobre Carlos que faz tudo por sua mulher, que não reconhece isso.

Talvez, nesta primeira parte, Gustave nos quis mostrar que mulher gosta é de ser tratada mau, ou na verdade gosta de viver muitas aventuras, ou que Ema, na sua realidade particular tinha uma vontade tão grande de subir socialmente, que um simples médico era pouco pra ela, por mais que ele a proporcionasse uma vida razoavelmente boa. Talvez Flaubert nos quis mostrar que um homem deve controlar sua companheira com mãos de ferro, desde o começo, sem muito mimo, pra depois não perder o controle sobre a mesma. Talvez ainda sua intenção foi, pelo contrário, mostrar nesta primeira parte que uma mulher pode ter vontades e sonhos de liberdade, para viver a vida como bem quiser, algo comum hoje, mas não tão comum naquela época.

Até agora percebi um fiel retrato da sociedade daquele período. Um retrato muito bem pintado. Não posso recomendar o livro sem ainda ter o lido totalmente. Não sei se farei um post sobre toda a obra, mas pelo Twitter direi o que achei, quando eu terminar de ler.

Pra finalizar, acredito que quando o escritor descreve exageradamente um local, faz com que nossa imaginação nos coloque dentro do mundo do texto, mas também corre o risco de fazer agente adormecer dentro deste universo, intensamente descritivo e às vezes, chato.

Pra quem, como eu, tem a paciência de saborear a descrição de cada casa, de cada móvel, de cada árvore, posso dizer que certamente, é um bom livro.

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O senhor Vladímir Propp, meu caro escritor

Vladímir Propp foi um formalista russo. Como parte importantíssima do estudo da narratologia mundial, suas teorías literárias são estudadas até hoje. Eu mesmo estudei elas algumas semanas atrás. O seu trabalho de maior destaque é a Morfologia da Fábula, de 1928. Ele estudou cem fábulas de magia e percebeu que elas continham trinta e uma funções, chamadas hoje de 31 funções de Propp. Essas funções são as ações que os personagens praticam durante a estória. Claro que nem todas as fábulas continham todas as funções, mas em geral, lá estavam a maioria delas.

Para quem gosta e tem o costume de escrever, pode ser chato criar um conto ou romance seguindo as trinta e uma funções, mas digo, é um ótimo exercício. Se você já tem um roteiro a seguir, vai ter que diferenciar sua estória pela qualidade da descrição dos personagens e locais aonde tudo se passa.

Já para quem não gosta de escrever ou não tem muita criatividade, mas precisa escrever para algum trabalho de colégio por exemplo, seguir todas, ou algumas das trinta e uma funções certamente vai te ajudar a concluir sua tarefa, e quem sabe você até pega gosto pela coisa.

As 31 funções de Propp

1- DISTANCIAMENTO: um membro da família deixa o lar (o Herói é apresentado);
2- PROIBIÇÃO: uma interdição é feita ao Herói (‘não vá lá’, ‘vá a este lugar’);
3- INFRAÇÃO: a interdição é violada (o Vilão entra na história);
4- INVESTIGAÇÃO: o Vilão faz uma tentativa de aproximação/reconhecimento (ou tenta encontrar os filhos, as jóias, ou a vítima interroga o Vilão);
5- DELAÇÃO: o Vilão consegue informação sobre a vítima;
6- ARMADILHA: o Vilão tenta enganar a vítima para tomar posse dela ou de seus pertences (ou seus filhos); o Vilão está traiçoeiramente disfarçado para tentar ganhar confiança;
7- CONIVÊNCIA: a vítima deixa-se enganar e acaba ajudando o inimigo involuntariamente;
8- CULPA: o Vilão causa algum mal a um membro da família do Herói; alternativamente, um membro da família deseja ou sente falta de algo (poção mágica, etc.);
9- MEDIAÇÃO: o infortúnio ou a falta chegam ao conhecimento do Herói (ele é enviado a algum lugar, ouve pedidos de ajuda, etc.);
10- CONSENSO/CASTIGO: o Herói recebe uma sanção ou punição;
11- PARTIDA DO HERÓI: o Herói sai de casa;
12- SUBMISSÃO/PROVAÇÃO: o Herói é testado pelo Ajudante, preparado para seu aprendizado ou para receber a magia;
13- REAÇÃO: o Herói reage ao teste (falha/passa, realiza algum feito, etc.);
14- FORNECIMENTO DE MAGIA: o Herói adqüire magia ou poderes mágicos;
15- TRANSFERÊNCIA: o Herói é transferido ou levado para perto do objeto de sua busca;
16- CONFRONTO: o Herói e o Vilão se enfrentam em combate direto;
17- HERÓI ASSINALADO: ganha uma cicatriz, ou marca, ou ferimento
18- VITÓRIA sobre o Antagonista
19- REMOÇÃO DO CASTIGO/CULPA: o infortúnio que o Vilão tinha provocado é desfeito;
20- RETORNO DO HERÓI: (a maior parte da narrativas termina aqui, mas Propp identifica uma possível continuação)
21- PERSEGUIÇÃO: o Herói é perseguido (ou sofre tentativa de assassinato);
22- O HERÓI SE SALVA, ou é resgatado da perseguição;
23- O HERÓI CHEGA INCÓGNITO EM CASA ou em outro país;
24- PRETENSÃO DO FALSO HERÓI, que finge ser o Herói;
25- PROVAÇÃO: ao Herói é imposto um dever difícil;
26- EXECUÇÃO DO DEVER: o Herói é bem-sucedido;
27- RECONHECIMENTO DO HERÓI (pela marca/cicatriz que recebeu);
28- O Falso Herói é exposto/desmascarado;
29- Mudança de aparência do herói
30- Punição do falso herói
31- O Herói se casa ou ascende ao trono.

Ao ler as funções de Propp, você percebeu como em 1928 já tinha gente sabendo que as estórias de magia, em geral tinham uma mesma estrutura? Pois então, isso não significa que todas as estórias que são parecidas são ruins, mas quem conhece bem essas funções, geralmente acaba tendo mais gosto por leituras onde as funções estão em outra ordem cronológica, ou até por livros e contos mais complexos que não tenham nenhuma destas funções.

Você algumas vezes já leu diferentes estórias e notou que elas se pareciam? Pois provavelmente se pareciam mesmo, pois tinham a mesma estrutura!

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O lado perverso da força aliada na guerra civil da Líbia

Mais uma guerra, como tantas outras. O mundo está em guerra, como sempre. O Brasil está em paz, como quase sempre.

É engraçado como vários países europeus, ao menor sinal de “necessidade”, fazem guerras por aí, onde claro, existe petróleo. Os rebeldes iniciaram um levante contra o terrível ditador líbio, conseguiram apoio de parte das forças armadas, então estavam quase vencendo, quando em uma manobra militar, as forças armadas líbias viraram o jogo. Ora, se existia uma força aliada pronta para agir, porque não conter o ditador? Claro, os americanos, franceses, italianos e ingleses esperaram o ditador sanguinário recuperar quase todas as cidades, aniquilar boa parte dos rebeldes, para então, quando faltava apenas uma cidade pra ser recuperada, o ultimo refúgio dos rebeldes, eles contra-atacaram. Esses rebeldes querem apenas democracia e liberdade.

As forças alidadas esperaram o país se autodestruir, para depois “ajudar”.

Fica mais fácil dominar uma nação destruída para sugar o petróleo conquistado militarmente, em uma estratégia que eu classifico como no mínimo desumana.

O povo muçulmano que sofre a tanto tempo com ditaduras, muitas vezes financiadas por nações europeias e norte-americanas (EUA e Canadá), agora que consegue mudar as coisas, acaba ficando de certo modo nas mãos de seus reais inimigos. O ditador é o cachorro malvado, mas e quem são os donos do cachorro? Não são eles os mesmos que agora estão tentando matar o cachorro? Enquanto isso os rebeldes líbios ficam levando mordidas, de todos os lados, hora perdendo pedaços de liberdade, hora perdendo pedaços de suas riquezas naturais.

Se a guerra é por democracia, porque os aliados não atacam um país que não respeita a liberdade de seus cidadãos como Cuba?

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