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Madame Bovary, de Gustave Flaubert, e suas descrições intermináveis

Madame Bovary é um livro muito reconhecido, que faz parte da história da literatura. Não vou fazer um resumo deste livro, nem nada do tipo, afinal de contas já existem milhares de resumos desta obra. Apenas irei falar sobre minhas primeiras impressões do estilo de Gustave Flaubert, o autor. Li por enquanto a primeira de três partes. Percebi que é uma obra grande, de leitura muito cansativa.

Começar falando da juventude de Carlos Bovary, pra depois passar a se focar em Ema, é interessante demais. O fato dessa focalização se alterar de um para a outra, faz com que nosso juízo de valor seja diferente do que se a estória começasse já falando apenas de Ema.

O que gostei, e ao mesmo tempo odiei mais, foi a capacidade descritiva de Gustave. As excessivas e prolongadas descrições dos locais, das roupas, dos gestos e das atitudes de cada lugar e de cada pessoa fazem o romance adquirir vida, mas ao mesmo tempo, fazem o leitor ficar com sono. A falta de velocidade e de grandes acontecimentos me fez sentir o mesmo tédio de Bovary, esposa de Carlos. Acredito que talvez esta foi a intenção do autor. Já sinto também dó do pobre Carlos que faz tudo por sua mulher, que não reconhece isso.

Talvez, nesta primeira parte, Gustave nos quis mostrar que mulher gosta é de ser tratada mau, ou na verdade gosta de viver muitas aventuras, ou que Ema, na sua realidade particular tinha uma vontade tão grande de subir socialmente, que um simples médico era pouco pra ela, por mais que ele a proporcionasse uma vida razoavelmente boa. Talvez Flaubert nos quis mostrar que um homem deve controlar sua companheira com mãos de ferro, desde o começo, sem muito mimo, pra depois não perder o controle sobre a mesma. Talvez ainda sua intenção foi, pelo contrário, mostrar nesta primeira parte que uma mulher pode ter vontades e sonhos de liberdade, para viver a vida como bem quiser, algo comum hoje, mas não tão comum naquela época.

Até agora percebi um fiel retrato da sociedade daquele período. Um retrato muito bem pintado. Não posso recomendar o livro sem ainda ter o lido totalmente. Não sei se farei um post sobre toda a obra, mas pelo Twitter direi o que achei, quando eu terminar de ler.

Pra finalizar, acredito que quando o escritor descreve exageradamente um local, faz com que nossa imaginação nos coloque dentro do mundo do texto, mas também corre o risco de fazer agente adormecer dentro deste universo, intensamente descritivo e às vezes, chato.

Pra quem, como eu, tem a paciência de saborear a descrição de cada casa, de cada móvel, de cada árvore, posso dizer que certamente, é um bom livro.

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